Em continuidade a comemoração ao 09 de Agosto,  Dia Internacional dos Povos Indígenas,  hoje trouxemos para os nossos amiguinhos mais uma bonita história que nos ensina muito sobre a vida. É a história da «Manú e a pequena Maya no povo africano», mais uma gentil contribuição exclusiva do Sehiarpo Associação, para o projecto «Ensinando uma Criança a Viver» !  Obrigada a Sehiarpo por partilharem conosco histórias tão lindas!

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Manú e a pequena Maya no povo africano.
Tema: Dia Internacional dos Povos Indígenas – 9 de Agosto

Ola meninos, chamo-me Naná e sou avó de uma tribo africana. Vou-vos contar uma história que aconteceu no meu povo há algum tempo atrás, na qual as protagonistas são duas crianças: Manú e Maya. Estejam atentos a esta bonita história.

Manú é uma criança francesa que pertence a uma família rica. Sua mãe não trabalha, por isso tenta dar à sua filha a melhor educação possível e uns valores firmes que a façam ser uma pessoa boa e justa. Por outro lado, seu pai é médico numa ONG destinada a desempenhar o seu trabalho em África. É por isso, que ele passa grandes temporadas fora de casa, viajando e curando aqueles que o necessitam. Mesmo assim, sempre está em contacto com a sua família e conta a Manú suas histórias e como é a vida no povo no que está destinado. Ele ama o seu trabalho e ajudar os outros, por isso, os indígenas do povo têm-lhe um grande carinho. Para o papá de Manú, o povo é a sua segunda família.

Seus pais estão preocupados, porque apesar de nunca se terem descuidado com a educação e princípios que foram transmitidos a Manú, ela é muito egoísta, caprichosa e somente valoriza as coisas materiais que se lhe dão e nunca o amor, carinho, abraços, beijos e outras demonstrações de carinho. Ela tem a ideia firme de que a felicidade vem das coisas materiais. Estas atitudes molestam os seus pais, porque apesar de ser uma família rica, sempre ajudaram os mais necessitados e o mais importante sempre foi o bem-estar em família, os valores, a união e o amor; é assim como a pequena Manú foi educada.

Quando o seu pai voltou a casa, depois de uma temporada fora, decidiram ir passar o verão ao povo com o pai. A mamá de Manú, pensava que seria bom para ela, e Jorge, seu pai, apoiou a ideia. Creram que num lugar com menos possibilidades económicas, mas no qual se desborda amor, seria o despertar de uma nova consciência de Manú.

Ela não gostou muito da ideia, não entendia porque tinha que passar as férias num lugar com menos comodidades que a sua casa e pobre. Mas não teve outra opção, senão respeitar a decisão de seus pais e preparar suas coisas para a viajem. Papá lhe disse que só podia levar uma maleta e uma mochila, e nada de estravagâncias como levava sempre que saíam de férias ou a passar um fim-de-semana fora. Isso a chateou ainda mais, já que passaria um mês fora e ela dizia que não levava as coisas suficientes.

Uma semana depois, chegaram ao povo, onde todos esperavam com ilusão a chegada de Jorge e sua família, sobretudo Mário, um médico peruano, que estava destinado desde há dois anos também no povo, e que vivia quase permanentemente ali com a sua mulher e filha Maya. À pequena Maya lhe encanta viver no povo, sente que tem uma grande família que a ama igual que seus pais. Quando vão a Perú, tem saudades do povo, porque diz que ali é verdadeiramente feliz, aprende muito e comparte muitas coisas com as outras crianças do povo. Isto mesmo foi o que disse à mãe de Manú quando esta lhe perguntou se gostava de estar em África. Manú ouviu isto e escandalizada perguntou-lhe como era possível que gostasse de viver entre os selvagens.

Maya chateou-se, porque não gosta que ofendam a ninguém por serem diferentes, já que às vezes isso também sucede no seu país. Por isso explicou a Manu, que o povo não era selvagem, mas sim ao contrário, era muito civilizado e familiar; além do mais, aprendeu muitas mais coisas que no Perú e no seu país, assim como em outras grandes cidades nas que havia estado de férias, viu pessoas chamadas cultas e civilizadas, muito mais selvagens que qualquer indígena que não tenha ido à faculdade ou teve grandes estudos.

Manú achou extranha esta comparação de Maya, mas não lhe deu importância. Seu pai, lhe disse que a partir desse momento, durante todas as suas férias, Maya seria sua guia, lhe ensinaria coisas sobre o povo, e tudo o necessário para estar cómoda, para disfrutar e aprender. A pequena Manú detestava a ideia, mas obedeceu ao seu pai.

Passeava e ía a todos os lugares aos que ía Maya, mas se mantinha longe e se sentava, esperando que ela voltasse, porque Manú pensava que o povo não tinha nada para ela e que a sua casa luxuosa era muito melhor. Ela detestava estar ali e aborrecia-se muito porque não participava em nada do que Maya fazia, mas mesmo assim as crianças do povo se aproximavam dela para tentar convencê-la a brincar e as mais velhas tentavam integrá-la na comunidade. Manú estava cansada de observar. Seguia sem entender como Maya se podia divertir tanto. Pois Manú observava como ela tocava o instumento típico do povo e cantava com as outras crianças, canções que lhes ensinavam, canções dos antepassados. Ela dançava descalça para sentir a terra debaixo dos seus pés, com as mulheres do povo, todas em círculo, alegres, dinâmicas e sempre com um sorriso. Todos os dias, uma das avós do povo, ensinou-as a dar as graças ao Sol e aos deuses por cada amanhecer. Foi nesse momento, que Manú deixou de ser uma mera espectadora na diversão de Maya e aceitou este pequeno ensinamento da avó. Posteriormente, Maya convenceu-a a ajudar a avó na confecção de cestos com materiais que as ONGs lhes faziam chegar, para assim poderem transportar as coisas. Pouco a pouco, ela conseguiu que Manú comecasse a quebrar essas barreiras sociais, a bailar, cantar, brincar com as crianças do povo e sentir-se livre.

Um dia perguntou a Maya porque dançava descalça, se tinha sapatos e a pequena Maya lhe explicou que para o povo a dança descalços não é só porque não têm calçado, mas sim para sentir o contacto com a Terra. Através dela sabem como estará o tempo, se os cultivos serão bons, se vem uma tempestade, etc. Isso a Manú lhe pareceu muito interessante e pouco a pouco, deixou de se chatear e tentou disfrutar do povo, das suas férias no povo e aprendeu.

Sentiu-se livre e riu-se muito mais que em toda a sua vida. Em França tinha muitas coisas, mas se deu conta que não era feliz, porque passava pouco tempo com os seus pais e não sabia disfrutar sem ter dinheiro ou comodidades. No povo africano, aprendeu a conhecer-se mais a ela mesma e aos outros. Deu-se conta que em comunidade, são mais felizes e aprendem muito mais que sozinhos.

Manú, a partir desse momento, respeitou as pessoas do povo, porque ela mesma assumiu que eram muito sábias e cultas. Ela dizia que o povo conhece muito bem as suas terras, muito mais que em França, que só conhecem o superficial de seu país, as políticas e previlégios, não a sua história de verdade. Manú, a partir desse momento, valorizou muito mais todo o amor e cuidados que seus pais lhe davam e entendeu que este verão foi muito mais feliz que em toda a sua vida, por isso as coisas materiais não a preenchiam como ela dizia.

Manú e Maya tornaram-se grandes amigas e confidentes. Durante todo o ano, apesar de se comunicarem por carta e através das novas tecnologias, tiveram muitas saudades até se voltarem a ver no próximo verão, onde o povo esperava ansioso a chegada da pequena Manú.

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