A Família é um dos maiores pilares em nossa vida e em nossa educação, é dentro de casa, no aconchego do nosso lar através dos nossos pais e demais familiares que recebemos as primeiras lições de vida para sermos seres humanos íntegros, bons, honestos, amigos, leais e dedicados ao próximo. Por isso, hoje o Blog da Criança traz para vocês uma linda história que faz parte do projeto «Ensinando uma Criança a Viver» em parceria com o Clube das Estrelinhas, em celebração ao Dia da Família (15 de Maio).  Vamos a ela?

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A família Estrela
Tema: Dia da Família

Sempre acreditei que ter uma família é algo muito especial e esse sentimento fortaleceu-se ainda mais quando conheci a minha família do coração. Eu sou o Pep um pardal muito singular, que vive num monte da Galiza (Espanha) e vou contar-vos a minha história.

O monte é a minha casa e a de muitas outras famílias de animais como raposas, lobos, linces, ursos, esquilos muito simpáticos e ratos do campo muito velozes. Também há famílias de animais mais pequenos, como as libélulas e as joaninhas, ou de plantas e árvores. Eu sou pequeno e em breve começarei a voar, de momento vivo com os meus pais e irmãos num ninho no alto de um eucalipto, da família dos eucaliptos curadores. Gosto de observar como todos se divertem no monte, brincam, crescem e convivem sempre com muito respeito. Vivíamos em harmonia até ao dia em que tudo mudou. Era muito difícil, e raro, vermos humanos porque o monte fica na parte mais alta da montanha… de vez em quando víamos alguns a passar nas suas bicicletas mas sem interferirem no nosso habitat. Por isso não nos preocupávamos com eles, até ao dia em que apareceu um grupo de homens a falar muito alto e a fazer tanto barulho que todos os animais, plantas e árvores do bosque despertaram apavorados sem perceberem o que estava a acontecer. De repente apareceram grandes máquinas e começaram a destruir o nosso lar… as grandes árvores, que tinham centenas de anos, começaram a cair e com elas a minha casa, os ninhos de outros pássaros, as casas dos esquilos… estava tudo a ser destruído. As grutas estavam a ficar tapadas pelos troncos. Muitos caíram sobre animais e mataram-nos. A mamã lince sofreu um grande golpe, os pequenos lobitos eram tão pequenos que entraram em pânico e a sua mãe não conseguiu salvá-los a todos… muitos animais morreram nesse dia.

Todos sentíamos muito medo e escutávamos tudo sem saber muito bem de onde vinha o som. Os homens, porém, ainda não estavam satisfeitos e queimaram ramas, folhas e pequenos arbustos… com todos os insetos que se escondiam, cobriam ou alimentavam deles. Os homens estavam a destruir o nosso oxigénio e os nossos alimentos.

Aqueles que sobreviveram esconderam-se até que os ruídos e as vozes desapareceram e a energia da lua se aproximou. Saímos com medo e tristeza dos esconderijos. O nosso lar estava devastado e todos tínhamos perdido parte das nossas famílias. Ninguém entendeu porque é que o homem tinha chegado a um lugar que não lhe pertencia, destruindo todo à sua passagem.

Encontramo-nos diante do tronco do avô sábio que também tinha sido cortado e no céu apareceu a águia Rimpilú, protetora do monte. Tinha estado fora todo o dia, à procura de comida para as crias abandonadas. Rapidamente se juntou a nós e sentimo-nos todos muito tristes porque Rimpilú nos disse que parte do monte tinha sido destruída, viam-se muitos dos nossos amigos e irmãos animais mortos por todo o lado. Procuramos sobreviventes o mais rapidamente possível… os meus papás estavam mortos assim como a mamã ursa e muitos outros. Passadas algumas horas, e depois de intensas buscas, reunimo-nos todos de novo mas só estávamos: o papá urso, a mamã loba, a raposa Rita, algumas borboletas, os ratinhos gémeos Gri e Gru, esquilos do grande carvalho, os bebés da mamã lince… estávamos todos tão tristes que não conseguíamos evitar chorar.

O que iríamos fazer agora… e onde viveríamos? Tínhamos muitas perguntas e as lágrimas não paravam de cair pelos nossos rostos. O papá urso e a mamã loba falaram a sós durante muito tempo até que nos reuniram a todos e decidiram que deveríamos iniciar uma nova vida, todos juntos, como uma só família.

Caminhamos horas e horas, tristes e em silêncio, rumo ao desconhecido porque o nosso monte estava destruído e precisávamos de um novo lar para começarmos uma nova vida, todos juntos. Todos perdemos membros das nossas famílias e por isso, a partir de agora, seríamos uma família muito especial.

Chegamos ao Monte das Estrelas. Parecia ser um local tranquilo, solarengo, longe do alcance da mão do homem… tudo tinha muita vida. Entramos juntos no monte, devagar e sem fazer muito barulho porque não sabíamos quem poderia estar a viver lá. Demos passos pequenos e amedrontados, observando tudo o que havia no monte. As copas das árvores, que eram enormes, deixavam entrever os raios de sol que assomavam por entre as folhas das árvores e fascinavam-me.

De imediato dois guaxinins desceram de uma árvore, tinham caído enquanto nos observavam curiosos, são o Zip e o Zuni. Pregaram-nos um grande susto. Rapidamente apareceram dois javalis, uma raposa, toupeiras e outros animais. Fez-se um grande silêncio enquanto nos observávamos todos uns aos outros, perplexos, sem sabermos o que dizer.

A mamã loba disse:

– Não se assustem, por favor. Não viemos fazer-vos mal. O homem destruiu o monte onde vivíamos. Muitas das nossas famílias e espécies morreram e agora restamos apenas nós, formando uma só família. Procuramos um lugar onde possamos viver em família, afastados do homem, e onde possamos reconstruir as nossas vidas. Gostamos deste lugar e gostaríamos de ficar aqui.

Todos os animais respiraram de alívio ao saber que vínhamos em paz. Um dos javalis adiantou-se e disse:

-Todas as famílias unidas e com bom coração são bem recebidas no nosso monte. Nós vamos ajudar-vos a instalarem-se e acolhemos-vos com o coração aberto e feliz.

Pouco a pouco tornámo-nos grandes amigos, ajudámo-nos mutuamente, consolámo-nos, divertimo-nos, alimentámo-nos e criamos momentos divertidos todos juntos.

Na minha primeira noite no monte dormi envolto no pelo do papá urso, muito quentinho, e descobri porque é que este monte tinha o nome de Monte das Estrelas. Nessa noite todos vimos grandes estrelas, muito brilhantes, no alto do céu, que piscavam como se fossem grandes pirilampos.

Todos os animais do monte formaram uma bonita e grande família. A mamã loba teve que cuidar de alguns cachorros que tinham ficado sem mãe e o papá urso ensinou-os a caçar. A mamã raposa do Monte das Estrelas adotou e alimentou as pequenas raposinhas. A águia Rimpilú protegia o monte durante o dia e a coruja Putusín durante a noite.

Como em todas as famílias cada um de nós encontrou a sua função ou talento, útil para toda a família. Os ratinhos Gri e Gru dizem que somos uma família muito especial e os guaxinins Zip e Zuni batizaram-nos como a “Família Estrela”, a mais especial do reino animal. Vivemos muito felizes e a nossa família não para de crescer.

O Clube das Estrelinhas
www.oclubedasestrelinhas.comunidades.net

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