Hoje o Blog da Criança traz um artigo especial destinado à pais e mães, de autoria de Yolanda Castillo (terapeuta holística) autora do projecto «Ensinando uma criança a viver» em parceria com o Blog da Criança. O tema  «O impacto do âmbito familiar no deficit de atenção» tem sido abordado com frequência e  sem dúvida é bastante esclarecedor. Vamos a ele?
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O impacto do âmbito familiar no deficit de atenção.

Na atualidade é muito elevada a percentagem de crianças e jovens catalogados com deficit de atenção. Na realidade poderíamos dizer que é uma situação muito alarmante.

Então, teríamos que pensar, porque é que as crianças e jovens apresentam tantas dificuldades na escola?

Quando falo de dificuldades, não me refiro a que tenham más notas e reprovem de forma rotineira ou pontual.

Algo que muitos pais deveriam ter em conta é que as dificuldades na escola são muito mais que as classificações académicas, tais como por exemplo as relações humanas entre eles, entre outras. Mas não entrarei em profundidade neste ponto já que é muito amplo e abarca muitas situações.

Mas independentemente da relação socio-humana existente e inadequada entre as crianças e jovens, há outros fatores que os afetam. Alguns deles são:

-Deficit de atenção;
-Dificuldades na concentração;
-Falta de motivação.

Estes são três fatores que repercutem não só no rendimento escolar, como também na sua forma de se relacionarem socialmente, na sua autoestima e segurança.

Porquê?

Estes fatores fazem com que as crianças estejam mais dispersas e em muitos casos duvidem das suas capacidades. Aqui começa um círculo vicioso. Estas dúvidas fazem com que precisem de dedicar mais tempo ao estudo. Em 80% dos casos, as crianças sentem que por muito que se dediquem ao estudo, não obtêm o fruto do seu esforço. Então relacionam-se menos com familiares e amigos, porque não têm tempo. Isso dizem eles: falta de tempo para estar com os seus entes queridos e para os seus hobbies.

Qual é o resultado desta equação de fatores?

A desmotivação. Para muitos, a escola torna-se num suplício ou num castigo, porque se sentem atados a uma situação, que em muitos dos casos não entendem.

Então, que podemos fazer para ajudar a que os jovens e adolescentes recuperem o amor e a motivação por aprender?

Compreendendo várias coisas:

Uma mudança de atitude pela nossa parte é um fator fundamental, já que não há pior cego que aquele que não quer ver.
As crianças e adolescentes precisam de ter tempo para ser crianças, para se divertirem, para se permitirem vivenciar, imaginar e criar.

Vêm de quantas coisas são privadas?

Reflitamos uns instantes: como foi a vossa infância? Não é certo que em algum momento ou de algum modo, tinham um pequeno tempo para ser crianças?

Sem terem objetivos tecnológicos, conseguiam disfrutar, mas atualmente parece que o excesso de tecnologia provocou um afastamento das crianças e jovens da verdadeira essência destas etapas das suas vidas.

Devemos compreender que como seres humanos precisamos do contacto. Contacto que não é suplementado por máquinas artificiais. Não são estes aparelhos que educam, dão amor e ensinam.

Para além do mais, as crianças são muito mais do que uma pauta de notas, também precisam duma estrutura emocional e familiar com a qual se sintam apoiados e valorizados. Estas são peças principais para a segurança e motivação das crianças. No final de contas, o futuro não se constrói apenas com qualificações académicas.

Quantos de vós dedicais tempo a ouvi-los e apoiá-los?

De certeza que pouco ou de uma forma superficial. Se realmente os escutais, porque impondes vossas decisões? Porque não respeitais o que sentem, pensam e necessitam? Porque os pais, em muitos casos, procuram que seus filhos sejam os melhores academicamente?

Crianças e adolescentes inscritos num montão de atividades extracurriculares que preenchem os seus dias e horários com atividades: línguas, música, desportos, etc.

Na realidade, foram eles que escolheram isso? Fá-los felizes? Melhores pessoas? Fazem com que se sintam mais completos?

São perguntas nas quais deveriam refletir, antes de tentar encontrar mil porquês para o insucesso ou desmotivação dos jovens e crianças, porque parte das respostas dão luz a estas situações.

Com este cocktail de situações, as crianças e jovens sofrem consequências: falta de tempo, de motivação, de concentração, de atenção e de autoestima.

Estas podem ser o resultado de algumas decisões que tomamos sem perguntar a opinião deles.

Afinal, é sobre suas vidas e seu futuro que estamos decidindo. O facto de memorizarem mais conteúdos não os faz serem melhores, mas sim os valores e o calor familiar, que também os faz mais felizes.

Apoiá-los é respeitar as suas decisões, para ajudá-los a construir o futuro que desejem, de forma coerente, honesta e humilde.

O deficit de atenção preocupa muitas pessoas, mas também é uma desculpa de muitos outros, seja de forma consciente ou inconsciente.

Digo desculpa porque realmente muitos profissionais de educação se desculpam com isto para não terem que dedicar mais tempo a compreender o que se passa com o aluno. É muito mais fácil rotulá-lo com “Deficit de atenção” e que a criança tenha mais aulas ou terapias ocupacionais de apoio ou inclusive medicação.

Nenhum comprimido resolve a falta de atenção nem tudo o que foi mencionado anteriormente, mas sim uma mudança de atitude por parte de seus pais e pessoas que os rodeiam. Mais amor, dedicação, apoio e compreensão, são a chave para que as crianças recuperem a motivação e a segurança neles mesmos e nas suas capacidades.

Lembrem-se de que as crianças são a semente do futuro e toda a semente deve ser regada, mimada, acompanhada e cuidada, tal como devemos fazer com as crianças e jovens.

Página do Facebook «Ensinando uma criança a viver»

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