Em parceria com a Sehiarpo Associação e o Blog da Criança , trazemos mais uma historia para os nossos pequeninos, que tem como tema direito à educação. Vamos conhecer a história de Ami que sonhava em poder ir a escola.

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Direito a Educação – Expandindo contos pelo mundo com Ami

Tema: Direito à educação

Ami é o meu nome. Tenho treze anos e até há bem pouco tempo vivi na República Democrática do Congo, meu país de origem. Apesar de existirem locais com muita pobreza, tem muita beleza, riqueza e algumas famílias conseguem viver felizes. Claro que nem tudo é bonito e também existem coisas de que não gosto, tal como o facto de não ter a possibilidade de ir à escola. Sempre tive o sonho de vestir-me com roupa de colégio e estudar. Aprender muitas coisas sobre todos os temas possíveis e guardar no meu coração e na minha mente tudo isso.

Há um mês atrás viajei a casa da minha tia em Itália, que está na Europa. Eu não sabia que existia mais mundo fora de África, e também não sabia que o meu pai tinha uma irmã fora do país. Papá contou-me a sua história, ela também era uma sonhadora valente como eu, e na última guerra que houve no meu país, conseguiu escapar com outro grupo de pessoas. Depois de uma pequena travessia, conseguiu chegar a Itália e iniciar os seus sonhos.

Os meus pais entristeciam-se ao ver-me desenhar livros com uma vara na terra, para nunca me esquecer do meu sonho: conseguir ter muitos livros para ler e saber ler, claro! Por isso, eles decidiram enviar-me a Itália com a minha tia, para que pudesse concretizar o meu sonho. Porque apesar de ter ouvido de que na Declaração Universal dos direitos humanos diz que todas as crianças têm direito à educação; no meu país, como há pobreza, nem todos podemos ter acesso à educação, e esse é o meu caso. Há uma escola, mas fica muito longe de onde eu vivo e nunca tive possibilidade de ir ao colégio.

Quando cheguei a Itália, a minha tia estava muito feliz e decidiu mostrar-me a cidade onde vive. Chama-se Florença. Então levou-me a dar um passeio pela cidade, para conhecer as escolas, parques e todos os locais bonitos e que podiam ser de interesse. Que grande diferença, entre um país e outro, é extraordinário.

Em casa, a minha tia preparou-me um quarto só para mim. !Nunca tinha tido um quarto e muito menos com tantas coisas bonitas! Senti-me acolhida pela minha tia, com muito carinho. No quarto, ela tinha colocado um cesto típico do meu país, com livros que ela diz que se chamam “contos”. Nunca tinha ouvido falar deles, mas ela explicou-me que são livros para crianças, que contam histórias muito bonitas. Isso despertou ainda mais a minha curiosidade e vontade de aprender. A tia disse-me que dentro de poucos dias iria começar a escola e que eu podia ir.

Que alegria! ! Não parava de saltar e bater palmas de alegria, dizendo:

– Que bom! Por fim poderei ir a uma escola.

A minha tia riu-se e surpreendeu-se com a minha atitude, que estivesse tão entusiasmada.

Na primeira noite em casa, quando me deitei, a minha tia leu-me um conto de animais da selva e foi tão bonito que adormeci ouvindo a história.

Dois dias depois, preparamos tudo o necessário para o início da época lectiva: roupa, mochila, material escolar, etc. ¡Senti-me muito entusiasmada com todos os preparativos! O início do colégio será muito importante e especial, pressinto-o!

Continuaram a passar os dias, até que por fim chegou o grande dia de início do colégio, para aprender. O colégio é muito grande e bonito. As salas onde serão as aulas têm muitas cores e desenhos a decorá-las. Sabeis o que foi que mais me surpreendeu e encantou? A música! Na entrada do colégio ouvia-se música de desenhos animados, tão divertida e alegre! Fizeram-me lembrar dois desenhos que tinha visto antes na televisão com a minha tia. A professora recebeu-me com um abraço carinhoso e mostrou-me as instalações. Quando a professora me apresentou aos meus companheiros e novos amigos, senti-me muito nervosa e contente ao mesmo tempo. A professora Inês, ajudou-me e ensinou-me as letras, como uni-las e fazer palavras com elas. Em pouco tempo aprendi a ler e escrever. Assim consegui assistir às aulas normais com os meus amigos do colégio. Isso me agradou imenso, porque me esforcei com todo o meu coração para aprender a escrever e ler. Quando já consegui ler com alguma fluidez, a minha tia e eu fizemos um acordo. Ela habitualmente lia-me contos todas as noites para eu adormecer, por isso, a partir desse momento eu é que  lia a ela todas as noites duas páginas do meu livro preferido, para praticar muito melhor a leitura.

Tudo estava indo muito bem no colégio e aprendia todos os dias coisas novas que me surpreendiam e preenchiam.

Todos os dias dedicava tempo a escrever cartas aos meus pais, contando-lhes o meu dia-a-dia, o quanto me fazia feliz ir ao colégio, aprender coisas novas de diferentes matérias e ler os contos que a tia me oferecia. Guardo-os todos numa caixinha, para lê-los aos meus país, quando regresse a casa.

Desfrutar do direito a ter uma educação, para mim é muito importante, porque sei que com ela cresço física, mental e emocionalmente, pois quanto mais estudo, mais informação tenho e melhor entendo as coisas. Estudar me ajudará a ser uma adulta consciente, podendo desenvolver projectos importantes para mim e para ajudar os meus pais.

Adoro ir ao colégio! Mas hoje aconteceu algo que me deixou triste. Os meus companheiros de turma, no recreio, enquanto brincavam, diziam entre eles que as matérias eram muito estúpidas e que não serviam para nada e que o recreio era mais divertido. Isso perturbou-me e entristeceu-me muito. Como podem dizer isso? São muito importantes todas as matérias que aprendemos. Ajudam-nos e fazem com que cresçamos como pessoas, conheçamos o mundo e todas as culturas que o compõem.

Cheguei a casa a chorar, muito triste, senti a necessidade de contar à minha tia o que se tinha passado. Ela sentiu a minha tristeza e não gostou da minha desilusão.

Acho que era injusto o que tinha sucedido e propus-me a ensinar aos meus companheiros de turma, a importância que tem a educação em nossas vidas. Pedi ajuda à minha tia para arranjar alguma informação na internet e mediante isso e o que ditava o meu coração, escrevi num caderno em branco que me tinham oferecido, os meus pensamentos sobre a educação. Trabalhei nele durante toda a tarde, até a minha tia me chamar para jantar. Nele contei-lhes o seguinte:

“A educação é um direito fundamental que temos todos os seres humanos, mas em alguns países, somos privados dele, devido à pobreza. Nestes países, nós crianças, desejamos estudar, aprender e poder ajudar a crescer os nossos países e as nossas famílias. A educação é essencial para que possamos por em prática esses direitos, tais como: o direito a ser uma criança, à liberdade e muitos outros. Porque como vamos ser livres se não sabemos o seu verdadeiro significado? Toda a educação nos transmite informação e sabedoria que podemos aproveitar.

Imaginam o triste que pode ser se vos falarem de um país e que não saibam onde ele fica? Se não sabeis onde fica esse país, também não sabeis onde estais vós, entendeis? A educação nos permite adquirir conhecimentos e favorece o nosso desenvolvimento. Brincar é importante, mas estudar, ter educação, também o é e acredito que todos deveis valorizar mais esta oportunidade que vos dão, porque a educação é um presente que muitas outras crianças não podem disfrutar e que gostariam muito de o puder fazer. Em contrapartida, os que podeis fazê-lo desvalorizais essa oportunidade, e isso não é justo.”

No dia seguinte cheguei ao colégio um pouco antes, porque queria ser a primeira a estar com a professora, para pedir-lhe que me deixasse ler aos meus companheiros o meu texto. A professora Inês ficou encantada com o que eu li e o meus companheiros ouviram-me com muita atenção. Todos reflectiram sobre estas palavras e se deram conta da importância que tem estudar e a educação. Marisa teve uma ideia muito boa depois de ouvir-me, que nos cativou a todos. Entre todos, escreveremos contos com as nossas palavras, contando histórias bonitas. Depois a professora os corrigirá e enviaremo-los por correio a alguma instituição que trabalhe em países mais pobres, para que os adultos que os irão ajudar possam ler às crianças, para que elas sejam mais felizes.

Foi um dia muito importante para todos nós, que conseguimos aprender juntos. A partir deste dia, trabalhamos unidos para construir contos que levem felicidade e educação às crianças do mundo.

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