Hoje o Blog da Criança traz para vocês meninos e meninas mais uma linda história que nos ensina que todos nós temos o direito de ser respeitado e protegido, especialmente as crianças. A histórinha de hoje chama-se “Direito a não ser maltratado, direito a ser protegido” e é mais uma gentil colaboração do nosso parceiro Sehiarpo Associação para o projeto Ensinando uma Criança a viver. Espero que gostem!

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Direito a não ser maltratado, direito a ser protegido!

Tema: Direito a não ser maltratado

Esta é a minha cidade, uma cidade a que chamo, há já muitos anos, a cidade mais triste do mundo. Um lugar de que ninguém se lembra, muito menos aqueles que tem vidas felizes. Estamos em guerra, não sei desde quando, nem qual é o motivo pelo qual os adultos a iniciaram, a única coisa que sei é que nesta cidade, de que ninguém se importa e da qual ninguém se lembra, todos sofremos muito, incluindo as crianças. Nós vivemos uma realidade muito diferente da das crianças de outros países, provavelmente também muito diferente da vossa… Não temos uma casa e tudo é instável. Muitas vezes dormimos ao frio e despertamos com o barulho das bombas, ou dos soldados que invadiram a nossa cidade.

Eu só tenho o meu avô porque os soldados mataram os meus pais. Eles estavam a defender-me porque os soldados me queriam levar com eles à força. Fiquei com o meu avô ancião e não tenciono separar-me dele. Tenho de confessar uma coisa: tenho muito medo, em todos os dias da minha vida, porque vejo como os soldados agarram e maltratam outras crianças, deixam-lhes marcas no corpo que, mesmo depois de as feridas terem sarado, não desaparecem nunca. Agarram-nas quando não lhes obedecem ou somente para mostrar às outras pessoas que são eles que mandam, e para isso fazem as crianças sofrer com golpes. Eu choro quando ouço as outras crianças a chorar, dói-me o coração e tenho medo, não entendo porque é que os soldados fazem isso. Parece que o resto do mundo se esqueceu de nós e daquilo que se passa aqui. A nós, crianças, tratam-nos muito mal porque para eles não temos importância nenhuma. A mim agarram-me apenas uma vez e doeu-me muitíssimo. Nesse dia sentia esperança, fazia muito tempo que não me sentia assim, porque a guerra tinha feito com que a esperança se escondesse no meu coração.

Tinha visto a minha professora dirigir-se à escola, às escondidas… ela ensinava-nos muitas coisas boas e lia-nos contos que recebíamos de outros países. Eu gostava muito desses contos porque sentia que, através deles, conhecia muitos lugares. Pensei que podia voltar à escola… assim, com tanta emoção, sai a correr atrás da minha professora, tendo o cuidado de me esquivar dos soldados. Parecia que não me tinham visto, por isso entrei na escola. A professora ficou muito feliz por me ver mas também ficou assustada, com medo que alguém me tivesse visto. Rapidamente mandou-me sair, sem ser vista, já que os soldados, quando chegaram à cidade, encerraram a única escola que havia, e nela guardaram coisas com que nos magoavam. Porém, antes de eu sair, a professora deu-me um livro com a história de que mais gosto e a única que conseguia ler sozinha… Guardei-o por baixo da minha roupa e sai da escola pela porta traseira. Quando dobrei a esquina um soldado estava à minha espera e golpeou-me fortemente em todo o corpo, tanto que fiquei estendida no chão durante horas, até que me conseguisse levantar. As lágrimas molharam a minha cara e doía-me o coração de tantos golpes. O meu livro ficou manchado com o sangue das minhas feridas. Este foi um dos dias mais tristes da minha vida, o soldado maltratou-me muito. Regressei a casa, com o meu avô, que me limpou as feridas com água enquanto também ele chorava de tristeza. Ao meu avô doíam-lhe os meus golpes, estava muito triste. Tinha ouvido dizer que os soldados agarravam, muitas mais vezes, as crianças que já tinham agarrado anteriormente, para que lhes tivessem medo. A verdade é que sim, eu tinha medo e por isso nunca me separava do meu avô. O pranto das outras crianças fazia-me recordar o meu e punha-me triste.

Esta guerra parecia interminável, eu queria que acabassem os golpes e queria deixar de me sentir prisioneira dos soldados. Sempre que me descuidava eles agarravam-me e maltratavam-me.

E um dia ela acabou… quando os soldados bons conseguiram chegar até nós, e trouxeram com eles apoio humanitário, montaram hospitais de campanha para tratar e curar sobretudo as crianças que tinham sido maltratadas.

Os médicos ensinaram-nos que todos os seres humanos, mas principalmente as crianças, têm direito a não serem maltratados.

Todas as crianças têm direito à liberdade, à educação, à saúde, à segurança e a serem amadas, felizes e protegidas. Ninguém tem o direito de roubar a alegria e a esperança das crianças, de lhes destruir os sonhos, de as impedir de crescerem. Um dia, quando for adulta, vou lutar por um mundo melhor para todos, para que nunca mais nenhuma criança, em nenhum lugar do mundo, tenha que viver o mesmo que eu vivi. E, com a ajuda de todas as crianças, que um dia serão adultos, vou construir um mundo melhor.

Nunca percam a esperança nem deixem de lutar por aquilo em que acreditam, nunca desistam dos vossos sonhos e, acima de tudo, nunca permitam que vos maltratem.

Sehiarpo Associação
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