Em continuação a nossa parceria com o Clube das Estrelinhas e a Sehiarpo Associação, no projeto “Ensinando uma criança a viver“,  já anunciada aqui, hoje o Blog da Criança traz para todos vocês uma linda história sobre bom convívio entre as pessoas, e o direito à não discriminação. Vamos ler abaixo e termos como exemplo para aplicarmos em nosso dia a dia? 🙂

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O diário de uma grande peça de teatro, a vida!

Tema: Direito à não discriminação

Ser criança tem muitas coisas boas, jogar, divertir-se e aprender os valores essenciais que vão formarão os alicerces da nossa vida.

Chamo-me Paulo sou argentino e tenho 16 anos. Decidi escrever uma história que descreve um capítulo da minha vida, de quando eu era mais pequenino como vocês. Foi um capítulo que me marcou imenso, cresci muito e aprendi a ser uma pessoa melhor.

Prestem atenção, vou ler-vos um excerto do meu diário onde tudo está bem explicado….

“Ser criança tem muitas coisas boas, mas de todas a que mais me agrada é jogar, correr, saltar e disfrutar ao máximo o tempo com os meninos da minha idade ou até maiores.

Ah! Mas também gosto de observar tudo o que me rodeia, quando observamos as coisas parecem mais interessantes.

O meu nome é Paulo e sou argentino. Embora não conheça muito do meu país posso dizer que é muito bonito. Visito-o todos os anos no Natal.

Eu e a minha família vivemos em Portugal desde os meus 9 anos por isso não recordo muito do meu país. As poucas recordações que tenho são as que guardo no coração sempre que vamos de visita.

Adoro, fascina-me a voz da gente do meu país, tem uma pronúncia doce e muito diferente da dos meninos portugueses.

Atualmente tenho 7 anos e uma das coisas com que mais me divirto e mais aprendo é com os jogos que desenvolvo no parque bem perto do meu bairro.

Sabem porque gosto tanto??? Porque é quase um lugar mágico, há um lago com patos, cisnes e peixes de diferentes cores. Quando o sol ilumina o lago os cisnes parecem libertar milhares de raios de energia que incidem nos patos. Há imensos jardins, com muitas árvores, arbustos e flores coloridas.

Durante a semana é a minha avó que me passeia até ao parque e aos fins de semana toda a família se reúne lá fazendo um pic nic.

Esse pic nic é chamado por nós de “lanche da diversão” porque passamos a tarde juntos, comemos bolachas de aveia e chocolate preparadas pela avó e pela minha irmã Rocio.

Mas ainda não chegamos à parte que mais gosto. É um recanto onde existem diversos jogos: baloiços, argolas, escorregas, caixas de areia com cubos… parece um castelo pleno de estruturas e jogos diferentes onde posso desfrutar de diferentes divertimentos.

Apesar de tudo isto há uma coisa que especialmente me deixa contente é que neste parque há imensas famílias. Sim!!! Digo família e não meninos! Porque cada criança que aqui vem trás de acompanhante um ou mais membros da família e o que me deixa feliz é que enquanto nós brincamos, os adultos sentam-se, conversam entre eles e convivem.

Este parque é fascinante, nele juntam-se crianças não só do meu bairro mas também de um bairro vizinho onde há também uma grande quantidade de imigrantes. Temos menos capacidades económicas ou até mesmo algum problema físico mas todos nos respeitamos, aceitamos como somos e tratamo-nos amavelmente.

A minha avó ensinou-me que as pessoas devem cuidar-se mutuamente, igualmente como gostaríamos que nos cuidassem a nós.

Por isso a convivência é especial, todos somos grandes amigos, cuidamo-nos e respeitamo-nos.

A minha mãe disse que este parque nos transmite harmonia, tranquilidade e alegria porque todos nos rimos muito sem gritar. Gritar faz mal ao coração das pessoas que recebem o nosso grito. Ao contrário, a alegria impulsiona-nos a rir e a abraçar-nos que é muito mais civilizado.

Há dias no Verão em que a avó da Maria e a minha avó nos juntam a todos num círculo para contar-nos histórias acerca das estrelas, de diferentes países e planetas.

São momento de muita gratidão, parecemos uma grande família. Sentimo-nos felizes. Tudo corria bem até à chegada de uma nova família de sete crianças.

Todos eles são muito calados, têm muita dificuldade em jogar e conviver com as restantes crianças do bairro. A sua mãe está sempre muito triste, acompanhava os seus filhos ao parque, deixava-os e regressava a casa, nunca falava com os outros adultos no parque.

Os meninos quando chegavam invadiam as áreas de jogo do parque, gozavam-nos e insultavam-nos. Desapreciavam a nossa forma de falar, vestir e a nossa origem. Gritavam-nos, por isso vamos sair daqui, sentimo-nos mal.

Não entendo porque nos tratam assim! Deixa-me triste a forma como nos falam e convivem connosco.

A partir  da primeira semana da chegada desta família ao bairro começou a observar-se uma grande diminuição da afluência de pessoas ao parque, porque simplesmente se sentiam mal.

Eles são agressivos, empurram-nos se não saímos de imediato do baloiço que ele desejam.

Eu perdi toda a vontade de ir ao parque, já não me sinto em família nem a segurança que até aqui sentia. Deixou de ser divertido!

Os meus pais estão preocupados porque começaram a ver-me triste, apático, esse insultos eram como feridas no meu coração. Pergunto-me: qual o motivo de insultar-nos? Porquê ser diferente? Podemos não ter as mesma possibilidades económicas ou capacidades, inclusive podemos falar de forma diferente, vestir-nos de outra maneira, ser mais morenos ou pálidos, magros ou mais gorditos, mas necessitamos sentir-nos bem, amados e desejados no mundo.

Uma tarde de sábado a minha avó convenceu-me a ir ao parque, porque juntamente com a avó da Maria ia contar-nos uma história. Juntaram-nos a todos como habitualmente. Mas desta vez o meu irmão mais velho também estava com a sua guitarra. Não entendia muito bem porque necessitavam eles uma guitarra para contar uma história. Quando estávamos todos sentados lado a lado o meu irmão Jorge começou a toca a guitarra muito suavemente e a acompanhá-lo uma das avós contava uma história cantando.

Começamos de imediato a sorrir, que alegria!!! Já há alguns dias que não conseguia sorrir e dar daquelas gargalhadas que te fica a doer o peito de tanto rir!

De repente vemos as avós cantarolando a aproximar-se dos meninos novos. Eles estavam receosos, não queriam vir, mas as nossas avós são muito doces e depois de falarem com eles, os meninos uniram-se ao círculo timidamente.

Nós não estávamos muito confortáveis, não entendíamos nada. Porque trazem elas esses meninos que nos insultam e fazem mal para perto de nós?

O meu irmão recomeçou a tocar a guitarra e a avó da Maria começou a contar uma história que explicava que os seres humanos são todos iguais e que quando nascemos vimos ao planeta Terra representar uma grande peça de teatro na qual nós somos os protagonistas da nossa própria vida, trazemos um disfarce que é o nosso corpo.

O nosso disfarce é sempre diferente, não existem dois iguais, já que uns são altos, outros baixos, uns morenos ou com a pele mais branca. Além disso os nossos disfarces têm diferentes adereços, é exemplo a nossa voz, cada um tem a sua própria melodia. Ninguém veste as mesmas roupas que decoram os nossos disfarces, por isso somos personagens únicas desta peça de teatro.

Os nossos corações são todos diferentes mas ao mesmo tempo todos iguais, porque necessitamos de amor para o fazer bater com força, saúde e segurança.

Todos devemos respeitar os adereços e disfarces de cada um, porque são parte de cada um de nós e a melhor é sempre a bondade que guardamos no coração.

Eu ouvia esta história muito atentamente, era tão bonita e real, sentia que falava de todos nós.

Os meninos novos quando ouviram esta história começaram a relaxar, nos seus corpos sentia-se o abandono da tensão, eles começaram a sorrir.

Para nós foi surpreendente porque nunca os tínhamos visto a sorrir.

Foi uma tarde extraordinariamente surpreendente! Todos nos sentimos melhor e as coisas mudaram muito!”

E assim acabou a história descrita no meu diário. Este momento mudou mesmo tudo. Esses meninos mudaram de atitude e compreenderam que todos somos humanos, temos as mesmas condições e não devemos insultar nem faltar ao respeito a ninguém.

Não devemos discriminar com base no aspeto físico, na indumentária ou na linguagem. A partir desse dia todos os meninos começaram a jogar juntos.

Esta história mudou definitivamente a nossa vida!

Todos aprendemos que nunca devemos tratar mal os outros ou discriminá-los por não ser ou estar fisicamente como nós.

Sehiarpo associação.

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