Olá meninos e meninas de Portugal e do Brasil. Cá em Portugal, hemisfério norte, estamos a receber o Outono, uma das mais lindas estações do ano. Outono é sinónimo de magia e renovação, época em que as folhas caem e a natureza se encontrará num recolhimento a espera da chegada do inverno, quase sempre muito rigoroso cá pela Europa.  Por isso e em homenagem a chegada do Outono, o Blog da Criança traz para todos vocês uma linda história de autoria de Yolanda Castillodo Centro de Medicina Holística e Clube das Estrelinhas.

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Os esquilos e a magia do Outono

Olá crianças!

Que pequeno e famoso animal roedor vive no sítio mais alto das árvores, saltando de ramo em ramo? Sim! Exacto! É o que estais a pensar, os esquilos. Meu nome é Rumi, e sou um esquilo vermelho. Vivo junto de muitos outros esquilos, na copa das árvores, no parque da esperança. É um parque muito grande, onde há muitas espécies de árvores e plantas, também há fontes e diferentes zonas para brincar, para que vós, as crianças possam brincar e desfrutar, rodeados pela natureza. Nele vivem muitos animais. Há muitos pássaros que formaram as suas casas neste parque, patos, marmotas, coelhos, etc.

Como a maioria deles habitam na terra ou escondidos entre as plantas, quase sempre saem durante a noite ou quando não há crianças no parque, porque tendes como costume correr atrás deles, devido à curiosidade e quereis brincar com eles. O parque é conhecido entre os humanos, como o parque dos esquilos vermelhos, porque vivem muitos esquilos nele, tantos, que como o nosso pêlo é de cor vermelha, no Outono parecemos pequenas bolitas vermelhas, decorando as árvores.

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Imagem Colorir e Aprender

Nós esquilos somos muito especiais, mas as crianças conhecem-nos pouco, porque sempre estamos no cimo das árvores, por isso vou contar-vos mais sobre nós e o nosso parque.

Aqui sempre temos muitas coisas que fazer. Vereis, nós preparamos os nossos ninhos nas árvores, similares aos dos pássaros, para nos abrigarmos e podermos ter crias em condições seguras e com o calor de que necessitam para viver. Para além do mais, os nossos bebés, quando nascem, não vêem nem ouvem nada, por isso dependem totalmente de nós, logo temos de ter muita energia e alimentos colhidos para nos separarmos o menos possível deles e que estejam no seu ninho, resguardados. Também nos abrigamos nos buracos das árvores, fazendo deles pequenos armazéns, onde guardamos alimentos como castanhas, nozes, pinhões ou bolotas. Por isso o Outono é muito importante para nós, porque há abundância de alimentos, pelo que para além de comer muito, podemos guardá-los nos buracos das árvores, para não passarmos fome.

A seiva das árvores é um manjar para nós ¡mmm que delícia! É doce como o mel que comeis vós crianças. Aos esquilos, a seiva proporciona-nos muita energia, para podermos saltar de árvore em árvore e para não nos cansarmos na procura de alimento. Nós não hibernamos, por isso é muito importante guardar o alimento, e quando não encontramos o suficiente nas árvores, descemos ao solo para tentar conseguir algumas das raízes de que gostamos.

No Outono, com o tempo instável e chuvoso, muitos dos frutos caem ao solo, por isso descemos a terra firme para colhê-los, guardá-los no nosso armazém e desde aí, comê-los acolhidos pelo calor da árvore. Aproveitamos o Outono e a sua abundância de frutos, sementes e raízes nutritivas, para não passar fome.

Ah! Apesar de muitos o desconhecerem, nós esquilos somos excelentes nadadores! Gostamos da água, e sempre que não nos vêm, tentamos descar às fontes ou pequenos riachos a chapinhar e brincar; senão, bebemos água das folhas das árvores e das raízes, ¿vocês sabiam que as raízes retêm água? Pois é certo! E para nós é uma vantagem, porque nem sempre podemos estar na terra. Eu adoro descer, durante o entardecer, a alguma das fontes do parque a chapinhar e mergulhar as patas nadando!

Durante o dia, visitam o parque um montão de crianças, grandes e pequenas e todas elas brincam sem parar em cada um dos cantos. Mas para além das suas actividades habituais, quando chega o Outono, encanta-lhes brincar nos pequenos montões de folhas caídas das árvores, saltar nos charcos de água e também fazer desenhos com as bolotas ou os ouriços das castanhas. A verdade é que parecem divertir-se muito! A maioria de nós observamo-los desde os nossos ninhos ou escondidos atrás das folhas, porque nos divertimos muito a vê-los. Quase sempre são crianças que vivem em casas próximas, as que frequentam este parque, pelo que nós já as conhecemos a todas e pusemos-lhes os nossos apelidos. Mas há uma criança, que no Outono sempre está triste e não brinca. Ela vai ao parque com os seus dois irmãos maiores e brinca muito, até estar esgotada, mas tudo muda no Outono. Fica observando, nostálgica, como as folhas caem, se formam os charcos e os frutos secos aparecem; ela não consegue divertir-se nesse ambiente, só observa sentada, com a sua coluna apoiada numa árvore. Já é a segunda estação consecutiva, que a vejo a fazer o mesmo; apesar dela ter crescido, suas atitudes não mudaram e está triste.

Como vos contei, nós esquilos somos muito activos, sobretudo no Outono, por isso ao ver o pequeno Antón, que assim se chama a criança, sentado e triste por o verão ter acabado e já ser Outono, punha-me triste, porque é uma estação tão bonita como as outras! Por isso, um dia decidi esperar escondido num dos últimos ramos das árvores, esperando que as crianças começassem a ir-se embora e não ouvesse tanta confusão no parque e lancei-lhe várias bolotas para chamar a sua atenção. Quando Antón me viu, desci e pousei sobre o seu ombro. Eu sabia que ele não tinha medo dos esquilos, pelo contrário. Ele surpreendeu-se muito ao ver-me e esboçou um sorriso na sua cara, muito especial. Há muito tempo que Antón não sorria. Ele adorava tanto os esquilos, que quando eu falava, do mesmo modo que as minhas irmãs, conseguia ouvir-me na perfeição, para ele era como um sonho tornado realidade.

Sabia que tinha pouco tempo para falar com ele, sem que as outras crianças se apercebessem de que Antón estava acompanhado por mim, por isso disse-lhe:
– Antón, eu chamo-me Rumi, sou um dos muitos esquilos que vivem neste parque. Ouve-me com atenção. Nós vos conhecemos e observamos a todos, porque sois brincalhões e inteligentes tal como os esquilos, por isso gostamos muito de vós. Levo dias preocupado contigo, porque estás muito triste por causa do Outono.

– É certo, é uma época muito triste – disse Antón.
– Não, claro que não – corrigiu o esquilo Rumi. Apesar do sol não aquecer tanto desde o alto do céu, ou de não poderes ir à praia, existem muitas coisas boas e divertidas que acontecem no Outono. As árvores ficam nuas e preparam-se para receber o inverno e dão abrigo aos animais. Se fechas os olhos, conseguirás ver em cada montinho de folhas, as fadas das árvores trabalhando nelas e criando cama para muitos insectos! Vocês podem brincar com as folhas, criar murais com elas, decorar desenhos, ou aprender sobre as árvores.

– Pois é, tens razão – disse Antón.
– Mas ainda falta mais- continuou o esquilo Rumi – Os cogumelos aparecem, e alguns são um alimento muito rico para os animais e para vocês. Estudar os cogumelos é divertido, porque assim saberás quais são os adequados para alimentar-te e poderás ir à montanha para colhê-los. As fadas da chuva visitam-nos continuamente, para manterem a terra húmida e eliminar todos os seus resíduos. Visitar os bosques no Outono é divertido, porque apesar do mau tempo, podeis colher os frutos, participar na vindima e ouvir todos os sons da natureza!

Antón escutava-me fascinado, parecia ter recuperado a motivação e alegria que tinha perdido. Continuei contando-lhe as maravilhas do Outono e que para além de tudo o que poderia fazer, é uma época tão alegre e bonita como as outras épocas do ano. Ah! E é a época do ano onde podeis contemplar mais esquilos, porque é a nossa estação preferida. Antón compreendeu que o mau tempo não é motivo para ficar triste e não aceitar a beleza da estação. Ficou muito feliz de me ter conhecido e eu a ele, porque é uma criança muito especial. Todos os dias de Outono, encontramo-nos debaixo da mesma árvore, ao entardecer, para chapinharmos juntos nos charcos e brincar. O parque da esperança converteu-se num lugar de encontro entre Antón e os esquilos. Antón compreendeu que o Outono é muito especial e importante para muitos animais e também para os seres humanos, época de abundância, colheita, sabedoria e aprendizagem.

Mais histórias de Yolanda Castillo, nos links abaixo:

A História da Manu e da pequena Maya

Dia Internacional dos Povos indígenas

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