Ainda no âmbito da celebração do Dia da Família (15 de Maio) , berço onde se forma nosso caráter e nossa personalidade,  hoje o Blog da Criança traz para vocês uma linda história que faz parte do projeto «Ensinando uma Criança a Viver» em parceria com a Sehiarpo Associação. Vamos a ela?

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Pais de crianças do Mundo
Tema: Dia da Família

Desde criança sempre tive um sonho: ser especial e fazer com que os outros se sintam especiais e amados. Parece um sonho difícil e talvez estranho mas, para mim, tem sido o sonho da minha vida. Já passaram muitos anos desde essa época, agora tenho 32 anos e uma bonita família com quatro filhos. O meu sonho nunca se desvaneceu, pelo contrário, fortaleceu-se muito mais e consegui, ou melhor, o Jorge e eu conseguimos realizá-lo. Temos uma família muito especial, com muito amor, respeito, união e livre de preconceitos.

Desde muito cedo que as minhas amigas faziam planos para se casarem, terem filhos, um trabalho cómodo e algumas outras coisas que a mim não me convenciam, porque como saberia que isso me faria realmente feliz e especial? Não era claro para mim… e apesar de muitas pessoas me verem como uma jovem diferente e me julgarem por isso, sempre fiz o que o meu coração me dizia.

Quando acabei de estudar turismo concederam-me uma bolsa para fazer um estágio prático, durante alguns meses, no México, Equador e Paraguai.

– É fantástico! Pensei eu.

Viajar, conhecer países, culturas e outras formas de ver o mundo e a vida. Esta bolsa de estudos deixou-me muito entusiasmada.

O México é um país com muito encanto, as pessoas são muito simpáticas e lá conheci a Melania, uma guia turística de quem sou muito amiga desde então. Os meus locais favoritos são Veracruz e Porto Escondido. Que incrível beleza. Senti muito a falta da Melania quando tive que ir para o Equador, deixei um pedaço do meu coração no México, junto da minha amiga.

Passei muito tempo no Povoado da Montanhita, um local muito divertido, turístico e com muitos surfistas. Por outro lado vivi quase todo o tempo em Quito, a capital, que não me parecia tão encantadora.

Numa das minhas visitas ao Povoado da Montanhita conheci o Jorge, enquanto ele surfava. Chamou-me a atenção a forma como ajudava as crianças indígenas e as ensinava a surfar.

O Jorge não é equatoriano, é da Califórnia, só lá estava de férias. Tornamo-nos amigos e falávamos com muita frequência por e-mail.

Senti que à medida que viajava construía uma pequena família multicultural, que me encantava.

A minha estadia no Paraguai foi mais curta porque me chamaram novamente para trabalhar no México. Porém, antes de voltar ao México, ainda tive tempo para conhecer a Estrela, uma das mulheres mais sábias que já encontrei e por quem sinto um grande amor.

Só estive um mês no México e aproveitei ao máximo para estar com a Melania; no Equador estavam à procura de guias turísticos e a verdade é que esse foi o país que mais me fascinou.

Lá a Maria levou-me a lugares diferentes e muito bonitos: Amazonas, Bosque Mindo Nambillo, Lagoa Quilotoa, Cidade Metade do Mundo… tantos que não me recordo de todos.

Todos fizeram com que o meu amor por este país crescesse. Em poucos meses já trabalhava como todas as guias turísticas, percorrendo cada local com grupos diferentes. Sempre que voltava ao Povoado da Montanhita não conseguia evitar lembrar-me do Jorge e do seu amor pelas crianças. O tempo passava muito depressa porque tinha muito trabalho. Em Quito encontrei a minha família do coração, essa que me acompanhava, apoiava e ajudava a cada dia. Claro que pensava todos os dias no Jorge, na Melania e na Estrela, eles também faziam parte da minha família.

O Verão chegou novamente e com ele os meus passeios mais frequentes ao Povoado da Montanhita, durante os quais tive uma agradável surpresa: o Jorge estava lá, surfando de novo! O meu coração deu um salto de alegria, fazia-me feliz tê-lo por perto novamente. Nesse Verão eu e o Jorge apaixonamo-nos e a partir desse momento nunca mais nos separamos. Ele procurou um trabalho em Quito e fomos viver para o Povoado da Montanhita, o local onde tudo tinha começado, e casamo-nos oficialmente na praia.

Queríamos ser pais para podermos dar todo o nosso amor aos nossos filhos mas, nesse momento, decidimos formar uma família muito especial, porque era um sonho que os dois tínhamos. Formar uma família com filhos do Mundo.

No Povoado da Montanhita, como noutras zonas do Equador, havia muitas crianças sem pais, assim como no México, Paraguai, Espanha e noutros países que tínhamos visitado.

Então, em vez de termos filhos nossos, decidimos dar uma família a algumas destas crianças. Em Quito adotamos Sarai, um bebé que perdeu a mãe uma semana depois de nascer. Algum tempo depois viajamos para o México onde estava o Ricardo, um menino de 8 anos, órfão e muito triste porque nenhuma das famílias que visitava a casa de acolhimento onde ele vivia o adotava. O Ricardo é uma das crianças mais doces que conhecemos e não conseguimos resistir a adotá-lo. Estivemos uns dias no Paraguai a visitar a Estrela, que nos levou a conhecer um centro de crianças de rua, que nos partiu o coração. Ali encontramos a Luz e o Diego, dois irmãos de 2 e 5 anos, que nenhuma família queria adotar por serem irmãos. O brilho nos olhos destas crianças cativou-nos o coração e iniciamos os trâmites legais para as adotarmos. Claro que, em cada um dos países, respeitamos as leis que nos permitiram estar todos juntos.

Já se passaram cinco anos desde que vivemos em família, numa casinha no Povoado da Montanhita e, apesar de não serem nossos filhos biológicos, são nossos filhos e nós somos os seus pais; são todos irmãos e amamo-nos muito. Os nossos corações formam um só coração, o coração de uma família unida. A comunidade do Povoado da Montanhita acolheu-nos muito bem, também são parte da nossa família. Os nossos filhos crescem felizes e não há um só dia em que não sorriam e se sintam membros da família mais especial do mundo.

O Jorge e eu somos muito felizes, juntos cumprimos um sonho maravilhoso: ter uma família especial, com filhos do Mundo.

Agora a família espera um novo membro, que cresce no meu ventre, o pequeno Leroy…

Sehiarpo Associação
www.sehiarpo.com

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