Hoje decidi escrever sobre um tema que incomoda muita gente: Ser gorda ou não? Tenho recebido muitos emails de meninas com 10 ou 12 anos, extremamente preocupadas em saber se estão ou não gordas. Sinceramente eu me pergunto que mundo é esse onde uma criança em tenra idade se preocupa já com valores estéticos que são enfiados em sua cabeça por esta sociedade medíocre que nos cerca, quando na verdade deveria é estar vivendo a infância ou pré-adolescência com alegria, leveza e não com preocupações fúteis. Em que mundo vivemos???

Espanta-me também ver que estas meninas procuram avidamente informações sobre isso na internet, sendo que o assunto deveria ser abordado em casa com os pais, ou melhor, com a mãe. Muitas delas escrevem-me a dizer que ficam horas sem comer porque acham que vão engordar, e que ficam se comparando com as colegas de escola e que todas são magras, menos ela.

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Observando tudo isso, só consigo dizer que acho este mundo muito cruel. Sim, cruel. Porque uma pessoa não pode ser julgada pelo seu corpo, ser magra não é sinônimo de ser bonita, e ser gorda não é sinônimo de ser feia. Uma pessoa não pode ser julgada porque é gorda!!! Mas infelizmente é.

Não é porque uma criança, adolescente ou adulto é gordo (obeso) que ele é feio, muito menos má pessoa, ou que não mereça o nosso respeito, nosso carinho, nosso amor, a nossa consideração e a nossa amizade. Ser gordo não é defeito nenhum, e ainda que fosse ou tivesse qualquer defeito físico ou mental, ainda assim seria um ser humano, com coração, alma, sentimentos, dignidade e que merece todo respeito do mundo.

Feio, bonito, gordo, magro, com óculos, sem óculos, com aparelhos nos dentes, sem aparelhos no dentes, isso não quer dizer nada acerca do que uma pessoa é como SER HUMANO;  e isso não deveria servir para rotular e torturar as pessoas (crianças ou adultos) como tenho visto a ocorrer.

A sociedade atual nos impõe um padrão de beleza cruel, injusto, desumano, torturante e mentiroso. O que vemos em capas de revista nem sempre é real, hoje em dia existe o photoshop, fotos trabalhadas para retirar manchas do corpo, aumentar peitos , diminuir quadril, alterar a cor do cabelo, etc, etc.

O que vemos em revistas, ou o que vemos em televisão, mulheres altamente malhadas, horas de acadêmia,  siliconadas, siliconizadas, plastificadas  ou como vocês queiram chamar, deturpam as mentes das meninas que acham que aquele é o único padrão de beleza aceitável.

Vejam abaixo Documentário sobre «Os Padrões de Beleza»  produzido por alunos do 1º semestre de Publicidade e Propaganda da Escola de Comunicações e Artes (ECA – USP) para a aula de Sociologia.

Vivemos numa sociedade de valores invertidos, onde só é valorizado o que não diz nada, o que não tem conteúdo, o que é vazio, e o que um dia acaba, despenca, murcha, cai, enruga e envelhece. Todo o resto que deveria ser valorizado e cultivado como valores morais, valores espirituais, carater, personalidade, intelecto, está sendo deixado de lado.

Não me refiro aqui a adolescentes que realmente tem problemas de saúde ou obesidade mórbida, porque estes com certeza terão um acompanhamento médico e poderão sem dúvida solucionar esta situação com um tratamento adequado, uma dieta balanceada e exercícios físicos.

Não digo com isso tudo que aqui escrevi que a alimentação saudável deva ser negligenciada, ou que crianças, adolescentes ou adultos não devam ter uma alimentação equilibrada e praticar exercícios. O que eu quis enfatizar é a excessiva preocupação com relação a estética,  numa idade onde o foco deveria ser estudar, brincar, e crescer com uma mente sã, para no futuro não se tornar um adulto frustrado e cheio de complexos absurdos.

Meninos e meninas, vivam, sejam felizes, aproveitem a infância e não se preocupem com coisas que não é importante para a tua formação como ser humano!

Aos pais e mães, tios, tias, avós, madrinhas, é hora de acordar e olharmos para os nossos filhos, sobrinhos, afilhados e pensar se de fato estamos a prestar atenção neles. Cobrir de presentes, dizer sim para tudo, não fará do seu filho ou filha um ser humano feliz. Conversar, dialogar é essencial. Excesso de auto estima não é bom, ninguém quer criar um narciso (a) dentro de casa,  mas a baixa estima “criada” na infância pode destruir a vida de um adulto. Pense nisso!

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